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sábado, 15 de janeiro de 2011

O que é o samba? Parte II.


Em O que é o samba? eu tinha sugerido que existe um diálogo que percorre algumas letras de samba, em que uma pergunta tardia (o que é o samba?) teria vindo preencher essa lacuna das “respostas” que já existiam. Mas tais sambas eram respostas para uma pergunta assim tão pontual e que parece uma questão de prova de quinta série? Sim e não. Não na dobradinha automática pergunta-resposta, mas eram, sim, respostas para uma discussão que se fazia na cultura em que, em face a uma resistência à cultura do samba há coisa de mais ou menos um século, século e meio atrás, o samba, na voz de seus poetas, precisava se autoafirmar.
Desde o Pra Que Discutir Com A Madame (Haroldo Barbosa e Janet de Almeida) ou antes, que o samba vem batendo boca por aí, vem discutindo com a fidalguia de sucessivas gerações para impor seu valor. É muito curioso perceber em algumas letras como esse movimento na cultura do samba não passou sem se fazer notar. Houve, sim, uma necessidade de autoafirmação, pois, como se sabe, havia no Brasil lusitano um apego a uma ideia de nobreza aristocrática, e que se torcia no nariz para as manifestações do Brasil que estava ficando brasileiro. Essa mania de nobreza deixou resquícios muito fortes que aparecem até meados do século passado e não desapareceram completamente.
É do grande Ary Barroso o sintagma “Brasil brasileiro” (em Aquarela Do Brasil) que não tem absolutamente nada de redundante; é na verdade a afirmação do reconhecimento da cultura local ante à cultura do Brasil lusitano. E Ary ganhou o apelido, em um LP em sua homenagem, de “o mais brasileiro dos brasileiros”, porque, sendo um excelente compositor de orquestra e que podia ter querido cumprir uma carreira de compositor de música mais europeia (erudita), como fizeram Carlos Gomes e Heitor Villa-Lobos, Ary preferiu fazer música brasileira (popular) que se autoafirma tematicamente. Algumas dessas canções de Ary Barroso não são exatamente sambas, em termos de estrutura rítmica ou melódica (as versões posteriores podem até ser), mas pela sua temática acaba sendo citada nos compêndios como “samba exaltação”, coisa com a qual eu concordo absolutamente
Nesse sentido, os primeiros e os segundos sambas precisavam impor-se ante a cultura aristocrática (portuguesa, mas que achava mais chique parecer francesa) e que, como eu disse acima, torcia o nariz para essa coisa de batucada, samba, violão, pandeiro, e etc. A canção de Barbosa e Almeida diz:
“Madame diz que a raça não melhora / que a vida piora por causa do samba /madame diz que samba tem pecado / que o samba coitado devia acabar / madame diz que o samba tem cachaça /mistura de raça, mistura de cor / madame diz que o samba é democrata / é música barata sem nenhum valor.”
O poeta dá voz ao discurso da madame, até o momento que retoma a palavra e faz sua autoafirmação quando diz: “o samba brasileiro é democrata / brasileiro na batata é que tem valor”. É cabível ressaltar que o adjetivo “democrata”, quando na voz da madame, tem um aspecto negativo (ela não gosta de povo, de manifestações democráticas), e na voz do próprio poeta, na parte da autoafirmação, tem um valor positivo. E, como prevê o nome da canção, pergunta-se, “pra que discutir com a madame?”, pois esse bate-boca parece que não vai levar a nada. Sem propor uma resposta específica para essa pergunta, a canção por outro lado evidencia que a discussão de fato existia: havia uma parte do Brasil que não queria se assumir brasileira, porque era “ex-nobre”.
Na verdade, ser sambista nunca foi navegar em mar calmo. O samba já nasceu de um conflito étnico e sócio-cultural: a grosso modo, a canção portuguesa, que era de “bom tom”, e os batuques africanos, que nem tom tinham. É possível imaginar o tamanho do preconceito que havia por parte da fidalguia que descendia de portugueses, principalmente, em relação a uma cultura brasileira, negra e popular, de samba e de batuque. Estamos falando da música do final do século XIX e início do século XX, quando a república que havia sucedido a monarquia era ainda muito recente, em termos históricos, assim como o fim da escravidão, no papel, fora assinado havia apenas um ano antes da Proclamação da República.
Algumas décadas mais tarde, no que parecia que o samba já estaria se firmando no cenário cultural brasileiro num patamar de honra, outras influências, agora não mais européias, vieram lhe desestabilizar o trono duramente conquistado. A era da ascensão econômica dos EUA, que investiu na Segunda Guerra Mundial e lucrou, tornou seu cinema e sua música populares e passou a divulgar, através destas manifestações artísticas, o American way of life. É curioso que também os Estados Unidos procuravam afirmar sua cultura e identidade e tinham uns conflitos internos muito similares aos brasileiros. Antes dos EUA se tornarem potência econômica, militar e imperialista, por breves décadas, fomos nações irmãs (na época da Guerra Fria viramos o “primo pobre”). E o samba sofreu com a influência americana, como também se pode observar em algumas de suas letras.
Em Agoniza Mas Não Morre, de Nelson Sargento, fala-se justamente desse “abalar de estruturas” que sofria volta e meia o samba. Diz o poeta: “samba; negro, forte, destemido / foi duramente perseguido / na esquina, no botequim, no terreiro / samba; inocente, pé no chão / a fidalguia do salão / te abraçou, te envolveu / mudaram toda a tua estrutura / te impuseram outra cultura / e você não percebeu”. O samba de Nelson Sargento tem eco na inspiradíssima Influência Do Jazz, de Carlos Lyra (“pobre samba meu, foi se misturando, se modernizando e se perdeu”). Claro, é importante lembrar que Carlos Lyra, para bem ou para mal (para bem, na minha opinião) já é da turma que “corrompeu” o samba de raiz, ainda que o fizesse com a mais sofisticada autoironia gerando algo muito bom.
A tal da influência americana teve efeitos contundentes, e é a ela que se atribui o surgimento da bossa nova, na mistura do ritmo do samba com harmonia do jazz. A partir desse novo movimento, a letra de samba que contém algo de autoafirmação persiste, só que agora não mais ante uma pretensiosa ex-aristocracia ultrapassada, mas ante ao que era americano, moderno e cult. Entretanto, embora os sambas originais ainda estivessem sendo feitos, muitas das letras que embarcaram nesse novo movimento de autoafirmação não são rigorosamente sambas.
Tem-se, por exemplo, a bossa Só Danço Samba, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes: “só danço samba, só danço samba, vai”, e que estabelece oposição a ritmos estrangeiros “já dancei o twist até demais, mas não sei, me cansei do calypso ao tcha-tcha-tchá”; a Chiclete Com Banana, composta pelo sambista Gordurinha e popularizada na versão tropicalista de Gilberto Gil: “só ponho be bop no meu samba / quando o Tio Sam pegar no tamborim / quando ele pegar no pandeiro e no zabumba / quando ele entender que o samba não é rumba”; o samba mesmo Brasil Pandeiro, de Assis Valente: “eu quero ver o Tio Sam tocar pandeiro para o mundo sambar / o Tio Sam está querendo conhecer a nossa batucada (...) na Casa Branca já dançou a batucada de io-iô, ia-iá (...) há quem sambe diferente / outras terras, outra gente / um batuque de matar”, que nos chegou na voz de Baby Consuelo, com os Novos Baianos.
Claro, tudo isso sem nunca esquecer de Carmem Miranda e Zé Carioca (que eu acho que não comentaria muito bem, já que o meu negócio é falar de letras de música, mas vou me arriscar a dizer uma bobagenzinha), que foi uma espécie de “troca” injusta, especialidade dos americanos desde então. Nós demos a pequena notável, uma brasileira meio portuguesa pra servir, bem ou mal dizendo, como um tótem vivo do que se pensava ser a brasilidade, mas que era, enfim, uma mulher de carne e osso. E recebemos em retorno um papagaio malandro de desenho animado. Antes nos tivessem dado a Jessica Rabbit...
Todas esses conflitos e a necessidade de autoafirmação do samba e do sambista ecoam por aí em diversas letras de samba. Na canção 14 Anos, de Paulinho da Viola, fala-se exatamente do que foi o status do sambista há algum tempo: “mas a minha aspiração / era ter um violão para me tornar sambista / mas o meu pai me falou / sambista não tem valor / nessa terra de doutor (...) o meu pai tinha razão”. Em Eu Sambo Mesmo, de Janet de Almeida, faz-se referência aos que talvez rejeitassem o estilo musical, e a canção cumpre seu papel de fazer autoafirmação dizendo que estes, no fundo, queriam estar sambando: “a minoria diz que não gosta, mas gosta / e sofre muito quando vê alguém sambar / faz força, se domina, finge não estar / tomadinho pelo samba, louco pra sambar”.
Tudo isso aconteceu até o ponto em que o samba pareceu dar-se alta da terapia, isto é, sem exprimir tanto a necessidade de se autoafirmar perante quem aparentemente o ameaça, mas sem nunca perder o cacoete da autoafirmação. Nesse sentido há umas letras de samba onde se nota isso, como em Só O Samba Me Domina, de Chico da Silva: “não há ninguém no mundo / que me faça perder a cabeça / só o samba me domina / por incrível que pareça”; Tem Mais Samba, de Chico Buarque: “vem que passa o teu sofrer / se todo mundo sambasse / seria tão fácil viver”; e a A Força do Samba, de Luiz Grande: “o tempo vai passando / e o samba vai seguindo / o povo está feliz cantado, sambando e sorrindo / a assim vamos nós / tirando esse som / que de dentro do peito nos sai / o samba balança mas não cai”, entre muitos outros exemplos possíveis. Ironicamente, parece que os sambas que estavam efetivamente marcando seu espaço é que tiveram mais força. Força ao samba de hoje e sempre!

Eu Sambo Mesmo, com o então jovem João Gilberto (vale a pena ver a sequência toda, que é de um único show):


A ilustração é um quadro de Caribé, obra que se intitula Roda de Samba. (com a contribuição do leitor Alexandre Jr.).

Até a próxima!

Luis Felipe

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Novos Rumos: refazendo a rota


Escreve-me um leitor (e que não é meu conhecido, fiquei feliz) um gentil email me corrigindo quanto a uma informação equivocada num texto que escrevi. Em Para o poeta do infinito eu cito a canção Novos Rumos sem muita discussão como se fosse composição do próprio Paulinho da Viola. O leitor escreveu-me:

“Prezado sr.
Vi em um comentário seu a respeito de Paulinho da Viola, muito bem feito por sinal. Gostaria de lembrá-lo que a música NOVOS RUMOS gravada por Paulinho a letra é dos compositores CASTRO ALVES e ROCHINHA gravada por SILVIO CALDAS. Mérito é mérito.
Um abraço.”

O leitor está coberto de razão e com essa errata, portanto, eu espero me redimir do erro (vide P.S.² e comentários abaixo). A canção Novos Rumos lista em pelos menos dois discos de Paulinho da Viola; A faixa 1 do disco 2 do álbum Bebadachama, de 1997, e a faixa 7 do CD Bebadosamba, de 1996, mas não é, de qualquer forma, composição dele. E a gravação do saudoso seresteiro Silvio Caldas, que eu particularmente não conheço (ainda), pode estar datada de antes mesmo da década de 1970, o que talvez possa fazer com que a minha momentânea ignorância seja perdoada e posteriormente sanada.

Obrigado, amigo leitor, sinceramente, pela sua valiosa ajuda.

Ainda bem que, graças à possibilidade de se argumentar dialeticamente, o meu ponto de vista naquele texto não deixa completamente de ser válido. Não sendo Paulinho o poeta compositor de Novos Rumos, ele não deixa de se atribuir um papel de poeta intérprete ao escolher uma música que forma um conjunto de metáforas com algumas de suas próprias composições, as recorrentes metáforas de marinheiro. E, se eu não estiver dizendo um absurdo, o intérprete é um nível da "entidade" poeta, independentemente de ser o autor ou não, mas que entra em cena no momento da enunciação da poesia, quando ela é declamada ou cantada.

Mas ufa! Isso não deixa de nos fazer pensar como essas confusões acontecem mesmo. Eu procuro ser rigoroso em distinguir autor de intérprete, mesmo sendo às vezes a mesma pessoa, e fui eu mesmo que criei na minha cabeça, quando estava escrevendo aquele texto, uma imagem do Paulinho da Viola navegando no tempo. E num lapso de atenção atribuí a ele a autoria de uma canção da qual ele não é o autor, apenas intérprete, sem nem mesmo ir verificar a informação.

Espero que me perdoem, mas não prometo que não faço mais. Enquanto eu estiver escrevendo estarei sujeito ao erro. Assim como admito ser corrigido. E que siga o barco!

Até a próxima!

Luis Felipe

P.S.¹ A imagem vetorizada é de uma fotografia que foi tirada do barco de passeio Cisne Branco, costeando a cidade de Porto Alegre, "singrando o Guaíba...".

P.S.²  A composição é de Orlando Porto e de Rochinha, como se pode ver nos comentários. Agradeço às familiares do compositor pela sua contribuição. Para mim é uma honra receber seus comentários. Apenas mantive a postagem porque acredito que discussão na postagem é válida - e nos comentários mais ainda! - no sentido de garimparem-se, com a ajuda de leitores do blog, esses dados autorais históricos.  Esta nota data do dia 22 de agosto de 2014.

domingo, 10 de outubro de 2010

Resposta ao tempo - adendo. Ou: a emenda pior que o soneto, quem sabe.

Parece que ficou meio no ar essa questão de que em Resposta ao tempo, na postagem anterior, o poeta opusesse tempo e linguagem. Vou tentar explicar melhor, mesmo assim ainda correndo o risco de não esclarecer nada. Valerá a tentativa de explicação. Ou não.

O tempo não está no mesmo nível que nós estamos, para começo de conversa. Não há diálogo possível com o tempo. O tempo passa e não nos pergunta o que a gente acha. Entretanto, cabe lembrar que é característica do ser humano a linguagem elaborada, o diálogo, e até mesmo a divergência (que está dentro desse sentido de diálogo que eu uso). Se alguém vai discordar de mim, pode argumentar no mesmo meio, a língua. Se a gente discordar do tempo, azar o nosso.

Lembro que há algum tempo, quando concluía um curso de especialização na área da linguagem, um tema que pensei em discutir seria a tentativa de dialogização do não-dialógico. Explico. A natureza (isso aí mesmo, mato, biodiversidade, equilíbrio ecológico, e etc) é natural, apesar do que vai parecer redundante. Uma parte significativa da nossa vivência é cultural, e é expressa na linguagem, portanto dialógica. A natureza não dialoga, ela não está nesse nível cultural nem dialógico. O que eu tinha pensado em fazer como trabalho era justamente coletar alguns slogans de propagandas da Secretaria do Meio Ambiente de Caxias do Sul, na época, que expressavam tentativas de supor que a natureza dialogava com a sociedade humana. Um slogan, se me recordo razoavelmente bem, dizia assim: “a natureza está respondendo aos constantes ataques....”. E isso fazia referência direta a catástrofes naturais, cuja hipótese bastante provável de causa é a própria ação humana sobre a natureza.

O que acontece é que a natureza, a rigor, não “dá recado” pra ninguém e não vai prevenir ninguém de nada nunca. Tudo isso é bobagem, na verdade. Mas não deixa de ser verdade que a ação do homem sobre a natureza tem efeitos, por vezes catastróficos. Eu acredito nisso. Mas o que estou defendendo é que não tem diálogo com a natureza. A natureza simplesmente é, tem suas próprias regras, considera a vida de todos os seres igualmente (e nesse sentido o ser humano não é melhor nem pior, talvez um pouco pior porque a danifica mais, enfim, mas não é jamais superior e nem vai ser avisado de nada). A natureza, portanto, não está “dando avisos” quando acontece uma catástrofe natural. O que é natural na natureza não tem “intenção” de comunicar, como de um suposto ser dando um aviso, mas pode ter “causa”. Intenção e causa são coisas bem diferentes.

Partindo dessa ideia de dialogar com o que não está no nível do diálogo, penso que nós humanos tendemos a horizontalizar tudo, colocar tudo no nosso nível humano, o dialógico. Conversar com os animais de estimação é básico (e incontestável). Mas também estabelecemos contato verbal com o além, com o extraterrestre, com a natureza, com o divino e o sagrado, e até com o tempo. Com o tempo, nos dois sentidos, inclusive. O tempo/clima, a gente "pede para São Pedro” que chova ou faça sol. Já vi até gente xingando as nuvens, tadinhas, que fossem passear em outros céus. O tempo cronológico, quem você pensa que é o interlocutor quando alguém reclama que o tempo parece passar ou não na velocidade que se queria? Talvez nos sentimos mais localizados no mundo e na vida quando dialogamos com tudo ao nosso redor. O ser humano é um animal dialógico. Os animais de estimação, evidentemente, adquirem uns traços nossos, de alguma forma se comunicam conosco. Só não falam a nossa língua (alguém discordaria...).

Foi nesse sentido que quis dizer que em algum lugar da letra de Resposta ao tempo subjazia a ideia da linguagem se opor a tempo, e isso já estaria aí no próprio título da canção, na palavra “resposta”. Como se fosse possível responder ao que não é dialógico, e mais ousadamente ainda, estabelecer um diálogo com o tempo, ainda que fictício. Por isso uma questão de linguagem contrapondo-se a tempo...

Acho que depois dessa postagem, que procura consertar uma postagem que teve um argumento muitíssimo ou extremamente vago, vou tentar evitar os assuntos metafísicos, porque parece que nem eu me entendo comigo mesmo. Mas estando sempre aberto ao diálogo...

Até a próxima.

Luis Felipe

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Amoroso ainda

Como o cifraamodaantiga é um blog em que se fala, entre outras coisas, de cifras propriamente ditas, um amigo e leitor do blog que foi ouvir a música da postagem anterior, O amoroso Bebeto Alves das milongas, no site oficial do Bebeto Alves, me pediu para publicar a cifra de Amoroso. Ele tem razão, não está em nenhum outro site de cifras, e eu nem pesquisei tanto assim. Então, a pedidos, publico-a logo abaixo. Quem quiser se aventurar a tocar pela minha cifra aqui precisa tomar o cuidado de acertar a troca de acordes de acordo com a música ouvindo-a, porque no editor de texto daqui do Blogger não sai bem certinho como a gente faz no bloco de notas (notepad) os acordes em cima das palavras, se me faço entender.

O crédito da imagem: El gaucho, uma tentativa com bico-de-pena, de Cristiano Teles, sem a autorização expressa do autor, mas acho que ele não vai se importar, contanto que eu faça a devida divulgação do blog http://searrependimentomatasse.blogspot.com. Quem entrar lá já dá uma passeada nos excelentes desenhos, caricaturas, quadrinho e tirinhas, entre outras coisas.



Amoroso

A7+ C#m7 D7+
Eu poderia falar de cavalos, de domas, galpões
D#º E7
de lidas vividas, de bravatas e causos
E7/9- A7+
Mas resolvi falar de amor...

A#º Bm7
O amor que existe em mim
E7/9- E7 C#m7
Que me alimenta e que me revigora
F#7/9- F#7 Bm7
Nas horas de um mate nos pelegos do catre
E7/9- E7 A7+
Enquanto a lua se põe e o boi rumina o capim

A#º Bm7 E7/9-
Ilumina-se o pátio, as orquídeas em flor
E7 C#m7
As casuarinas do rancho...
F#7/9- F#7
Os recantos da dor
Bm7 E7/9- E7 A7+
Quando a alma lá fora madura as amoras do teu desamor



P.S. O link direto para a imagem do El gaucho, na fonte, é http://searrependimentomatasse.blogspot.com/2010/03/el-gaucho.html#links

sábado, 25 de setembro de 2010

Cifra à moda antiga – situando o leitor II

Não, não, não...

O título do blog não sugere que a cifra mudou ou segue modas. O sistema de cifragem é rigorosamente o mesmo desde... (tá bom, não sei desde quando).

Quando eu pensei neste nome para o blog, foi relacionando-o justamente à idéia das revistinhas de cifra, que eu não encontro mais. E também não procuro, aliás. Tanto porque eu mesmo faço minhas cifras, tirando as músicas de ouvido, como também é possível encontrar tudo nas ferramentas de busca eletrônicas (o Google, por exemplo). Há, inclusive, alguns sites bastante conhecidos de cifra, como esse aí da imagem acima. Mas o que estou querendo dizer é que uma maneira de tocar violão, por cifra, mudou. Antigamente a gurizada ia nas bancas, folheava e escolhia as revistinhas. Embora não fossem caras, não se podia comprar todas as que se queria. Por isso, depois de talvez ter decorado as melhores músicas de uma edição, a gente trocava as revistinhas uns com os outros. Existia mais interação social de pessoa com pessoa real na rua, eu acho.

Sobre “tocar por cifra”, naturalmente que o músico não pode se limitar a isso. Mas é muito importante saber ler cifras, que é um sistema simples para escrever nomes de acordes, dos mais simples aos mais complexos.

Para quem não sabe, a cifra é o nome do acorde, assim completinho, com nome e sobrenome. Nas revistinhas antigas e nos sites atuais, acompanhado à música – letra e cifra – vem o desenho dos acordes no braço do violão, como na figura acima. Eis, abaixo, um exemplo de letra com cifra:

G#m7 C#7/9-

Que reste-t-il de nos amours

A#m7 D#7/9-

Que reste-t-il de ces beaux jours

G#m7 C#7/9-

Une photo, vieille photo

F#7+

De ma jeunesse


Sendo – G#m7 – sol sustenido menor com sétima. Simples, né?

Até a próxima!

Luis Felipe